Acção de Repovoamento de uma Zona de Caça com Perdiz Vermelha

Um caso a seguir…

1. Caracterização da Zona de Caça A zona de caça objecto deste artigo situa-se no Alentejo, no concelho de Arraiolos. Está implantada numa propriedade com ca. de 1.700 ha. A reserva dispõe de duas barragens e de um sistema de canalização da água a céu aberto para as culturas de regadio distribuído por toda a propriedade.

Durante os trabalhos fomos acompanhados de perto por uma lebre cheia de curiosidade…

Para além das zonas adstritas às culturas de regadio (milho), a propriedade apresenta zonas de montado (sobreiros e azinheiras) relativamente limpas de mato. A reserva em questão caracteriza-se, resumidamente, por ser uma zona de planalto, com muita água disponível e bem distribuída, muito soalheira, com pouco mato rasteiro, bem arborizada e com terrenos enxutos. 2. Preparação da Zona de Caça Antes da largada das perdizes no terreno, haviam sido implementadas já um conjunto de acções com vista a assegurar às perdizes actualmente existentes as melhores condições de abrigo, alimento e água. É disponibilizado trigo em comedouros estratégicamente situados e próximos das barragens. Os comedouros estão protegidos por malha-sol para protecção contra o gado. A disponibilidade de água está naturalmente garantida pela existência de duas barragens e diversas canalizações de água a céu aberto.
Abrigo construído com aproveitamento da malha-sol, à sombra de um eucalipto e próximo da barragem, sob a supervisão do Director-Técnico da Qta. dos Penedinhos.

Abrigo construído com aproveitamento da malha-sol, à sombra de um eucalipto e próximo da barragem, sob a supervisão do Director-Técnico da Qta. dos Penedinhos.

A intervenção do pessoal técnico da Quinta dos Penedinhos consistiu: i)        Na determinação dos melhores locais para construção dos abrigos; ii)      Na supervisão da construção dos abrigos (semi-rústicos), bem como da respectiva protecção com malha-sol contra o gado; iii)     No aconselhamento sobre o tipo mais eficiente de comedouros e bebedouros.
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Abrigo semi-rústico construído sob a supervisão do Director-Técnico da Quinta dos Penedinhos, completamente integrado no ambiente.

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Abertura das tampas das caixas das perdizes por um elemento da Direcção da zona de caça.
Junto ao abrigo foi colocado um comedouro sob aforma de garrafão de plástico invertido; as perdizes da Qta. dos Penedinhos estão habituadas, desde as primeiras semanas, a este tipo de comedouro, muito prático e económico.

3.   Factores Críticos de Sucesso (FCS) 3.1 Matéria-Prima: As nossas perdizes
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As perdizes são fornecidas em caixas de cartão especialmente concebidas para este tipo de acções.

A presente acção de repovoamento, i.e. a largada das perdizes no terreno, foi realizada no passado dia 04 de Setembro de 2014 ao longo do dia. As perdizes foram fornecidas pela Quinta dos Penedinhos com uma idade média de 15 semanas. Estas perdizes atingirão a idade adulta por ocasião da abertura da caça a esta espécie no próximo dia 05 de Outubro de 2014. 3.2. Nível de Integração de Abrigo, Água, Alimentação e Ausência de Perturbação. Tratando-se de uma zona com uma grande quantidade de gado, a direcção da zona de caça optou, a nosso ver muito bem, pela protecção dos abrigos, incluindo os respectivos comedouros e bebedouros, com malha-sol e, nalguns casos, pelo aproveitamento da mesma para proporcionar o abrigo indispensável às perdizes recém-introduzidas. Outra decisão, que merece o nosso elogio, foi a selecção dos locais para a implantação dos abrigos. Com efeito, a maior parte destes foi colocada na orla das barragens. Os que se situavam mais distantes dos pontos de água foram equipados com bebedouros de campo servidos de água a partir de depósitos de 30 litros. 4. Considerações Finais Em face do exposto, devemos chamar a atenção dos leitores para a forma integrada como foram dispostos no terreno a Alimentação (comedouros), o Abrigo (semi-rústico), e a Água (barragens). Já quanto ao nível de perturbação, a prevalência de predadores aéreos (águias), bem como a presença constante do gado (ovino e bovino), constituem motivos de preocupação. Outro aspecto que nos merece um reparo é o facto da introdução das perdizes no terreno ter sido realizada ao longo do dia. Aconselhamos sempre os nossos clientes a realizar esta operação ao anoitecer, por forma a facilitar e a aumentar o período de fixação das aves no local. Neste caso, o que aconteceu foi, como era de esperar, que as perdizes colocadas de manhã, já não se encontravam nos abrigos ao final da tarde, correndo-se o risco das aves ficarem muito cedo expostas aos predadores e à perturbação da passagem do gado, inviabilizando a sua fixação ao local. Com efeito, a Direcção da zona de caça pôde observar nesse mesmo dia, ao final da tarde, a predação de uma perdiz por uma águia. Estas perdizes atingirão a idade adulta por ocasião da abertura da caça a esta espécie no próximo dia 05 de Outubro de 2014 e, muito provávelmente, as perdizes que sobreviverem à referida época de caça, acasalarão e nidificarão. Convém notar, no entanto, que a agricultura intensiva que é praticada, a existência de gado e a distância das barragens existentes não abonam nada a favor da sobrevivência dos ninhos, nem dos perdigotos que, não obstante, venham a eclodir. Além do mais, a própria canalização da água a céu aberto poderá constituir uma armadilha perigosa para os perdigotos recém-nascidos, provocando o seu afogamento. Tudo isto é muito importante e necessário para o sucesso de qualquer acção de repovoamento com Perdiz Vermelha. Mas não é suficiente, pois se a qualidade das perdizes – traduzida na maior ou menor capacidade de sobrevivência em condições ambientais naturais – que se colocam no terreno não fôr boa, o repovoamento poderá ser um fracasso. As perdizes da Quinta dos Penedinhos têm-se revelado de superior qualidade nas acções de repovoamento em que têm participado, porque:

  • Evidenciam uma pureza e bravura genética notável desde os primeiros dias;
  • Estão habituadas, desde muito cedo, ao consumo de diversos cereais;
  • Estão habituadas, desde as primeiras semanas, a um tipo de comedouro muito económico e fácil de instalar em qualquer zona de caça: garrafão de plástico invertido.
  • Permanecem, a partir das 12 semanas, nos parques de voo, habituando-se a enfrentar todas as condições meteorológicas por mais adversas que sejam.

Estes procedimentos garantem uma excelente adaptação das nossas perdizes às condições naturais de qualquer zona de caça. Vamos ver, no futuro, o que aconteceu nesta acção de repovoamento? Terão as perdizes da Quinta dos Penedinhos revelado desde o início da presente acção de repovoamento uma excelente capacidade de adaptação às condições ambientais da zona de caça intervencionada? Como terá sido a integração destas perdizes com as perdizes silvestres existentes na reserva, formando bandos mistos? A terminar, queremos manifestar os nossos agradecimentos à Direcção da ZCT da Herdade do Cabido Grande pela confiança depositada na Quinta do Penedinhos quanto à acção de repovoamento levada a cabo. Quinta dos Penedinhos, 08 de Setembro de 2014 A Direcção. Fotografias by Martim Magro (Biólogo).